17 de mar de 2017

Guelã

Ou o dia em que eu não fui no show da Gadú.

Não faz muito tempo que comecei a gostar de MPB, na verdade, fazem oito anos, o que comparado a uma vida toda é relativamente pouco tempo. Acontece que na minha adolescência fui muito roqueira sim, daquelas que pensava que só o rock era bom e que o restante era lixo, shame on me por isso.

Mas meu pensamento começou a mudar quando entrei na faculdade, essa época é incrível porque você descobre o universo e percebe que o seu mundinho particular era tão pequeno e se vê rodeada de coisas novas e deslumbrantes. E então a vida me apresentou O Teatro Mágico e com eles descobri que a música não é só o rock'n roll pesado que estava acostumada a ouvir (e que, muitas vezes, não traduzia o que eu era, porque sim a música que gostamos diz muito sobre como somos), mas que a música é, mais do que qualquer coisa: poesia.

Depois desse primeiro contato com a Música Popular Brasileira, fui conhecendo outros artistas similares e a Maria Gadú estava começando, lá no seu Shimbalaiê e foi entrando de mansinho conquistando meus ouvidos e coração, ela juntamente com OTM fizeram o meu gosto musical ser como é atualmente: bem poético por assim dizer. Claro que a essência "roquenrou" continua, mas aprendi a aceitar muito mais os outros gêneros musicais e entender que cada um tem a sua beleza, alguns me encantam mais, outros eu não ouço, mas respeito, como deve ser em tudo na vida não é mesmo? Porque música é expressão, seja do que for, e a expressão deve ser livre. 

E nesse quesito de ouvir e sentir aquilo que está sendo cantado, mais do que qualquer outro artista, as músicas da Gadú conseguem entrar dentro de mim e transmitir uma paz tão incrível que é como se eu estivesse meditando. É a voz, misturada com a letra que fazem aquilo se transformar no melhor calmante que eu poderia experimentar. Pode parecer exagero, mas ouvir a voz dela num dia em que tudo parece escuro é uma luzinha no fim do túnel.

"Quando tá escuro e ninguém te ouve
Quando chega a noite e você pode chorar
Há uma luz no túnel dos desesperados
Há um cais no porto pra quem precisa chegar"

Eu nunca fui num show dela, mesmo que isso seja um sonho muito antigo. Ontem ela fez uma apresentação do tour Guelã na cidade onde eu estava morando quando comecei a ouvi-la, seria o lugar perfeito pra vê-la pessoalmente pela primeira vez, porém show na quinta-feira é totalmente inviável pra mim, principalmente por significar uma viagem de 268 Km até lá. E eu já estava conformada de que dessa vez não daria. Porém ao ver essa foto:

Uma publicação compartilhada por || m a r i a g a d ú || (@mariagadu) em
Meu coração até acelerou porque ela estava no Parque do Lago, um lugar que era praticamente o meu quintal quando morei lá, ela estava pisando na ponte que atravessei tantas vezes, olhando para as mesmas águas que já admirei em tantos finais de tarde. Confesso que até dei uma choradinha de leve junto com a minha irmã que também não foi no show.

Mas depois de tanto me lamentar, entendi que eu tinha mesmo é que ser grata por (citando Carl Sagan) "diante da vastidão do tempo e da imensidão do universo" estar dividindo o mesmo planeta e a mesma época com Gadú e vê-la ali me fez perceber o quanto ela é real e que tudo o que escreve e canta é verdadeiro. Maria, nos encontramos por aí, foi bom te ver (mesmo que por foto) na terrinha que cresci.

"Será que te conheço desde a infância?
Será que na infância eu parti?
Prum mundo imaginado por você
Ou por você um mundo veio
E a infância assim se foi"

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