A menina submersa: Memórias

16:31


Autor: Caitlín R. Kiernan
Editora: Darkside Books
Páginas: 320
Sinopse: "A Menina Submersa é um verdadeiro conto de fadas, uma história de fantasmas habitada por licantropos e sereias. Mas antes de tudo uma grande história de amor construída como um quebra-cabeça pós-moderno, uma viagem através do labirinto de uma crescente doença mental. Um romance repleto de beleza e horror, camadas, mitos e mistério em um fluxo de arquétipos que desafiam a primazia do "real" sobre o "verdadeiro" e resultam em uma das mais poderosas fantasias dark dos últimos anos. Considerado uma obra-prima do terror da nova geração, o romance é repleto de elementos de realismo mágico e foi indicado a mais de cinco prêmios de literatura fantástica e vencedor do importante Bram Stoker Awards (2013). A autora se aproxima de grandes nomes como Edgar Allan Poe e H.P. Lovecraft, que enxergaram o terror em um universo simples e trivial -  na rua ao lado ou nas plácidas águas escuras do rio que passa perto de casa - e sabem que o medo real nos habita. O romance evoca também as obras de Lewis Carrol, Emily Dickinson e a Ofélia, de Hamlet, clássica peça de Shakespeare, além de referências diretas a artistas mulheres que deram um fim trágico à sua existência, como a escritora Virgínia Woolf."

Eu sempre achei que livros deveriam ser escritos com enredo linear, porque eu preferia assim, mas depois que li A Menina Submersa comecei a me interessar por enredos não lineares e perceber que a vida é assim: não linear! Afinal, nós temos momentos de devaneios e pensamentos voltados ao passado ou ao futuro, não organizamos nossa mente de uma forma linear, por que as histórias deveriam ser?

Não é segredo pra ninguém que eu sou apaixonada por Neil Gaiman, e eu só me interessei por este livro porque ele indicou, e se ele disse então deve ser bom mesmo, pensei. E realmente, foi uma escolha certeira. A Menina Submersa não foi fácil, ele é daquele tipo de livro que a pessoa ou ama ou odeia, mas se odeia é porque não entendeu nada da história, vi algumas resenhas no Skoob de pessoas falando tão mal que deu vontade de dizer: OLHA AQUI KIRIDINHA, VOCÊ ENTENDEU FOI É NADA, LÊ DE NOVO! Porque eu, no caso, amei. Comprei ele já fazia um tempinho, mas deixei pra ler depois, até minha irmã leu ele antes que eu, mas acho que existe o tempo certo e eu li ele certinho no momento em que estava precisando, o universo é tão mágico com essas coisas, sabe? Foi um livro marcante por motivos muito além da história em si porque quando um livro te marca, a lembrança que fica dele não é somente da história descrita nas folhas do papel, você também lembra da época em que leu, do que estava vivendo ao mesmo tempo em que lia. E comigo foi assim, lembro desde o momento da compra, do período que ele ficou me esperando e principalmente de quando li, estava acontecendo tanta coisa...

Eu discordo de alguns pontos da sinopse, não acho que seja apenas um conto de fadas ou exatamente uma história de fantasmas e não vi nada de terror nele também, pra mim foi mais além, foi a história de uma mente perturbada, de uma mente doente, mas ao mesmo tempo foi uma história linda, que mexeu profundamente comigo. Eu demorei muito tempo pra conseguir escrever sobre ele porque estava ainda absorvendo, estava tentando digerir e entender o que significou pra mim.

A Menina Submersa conseguiu adentrar minha mente e de uma maneira incrível me senti realmente submersa no livro, como se eu não estivesse lendo, mas sim vivendo aquela história, parecia que eu era a protagonista, eu comecei a sentir algumas coisas que ela sentia e isso foi realmente perturbador, conversei com algumas pessoas que também leram e fiquei mais aliviada ao saber que isso não aconteceu só comigo.

A história é bastante complexa e fazer uma resenha dela é bem difícil, talvez por não ser linear, talvez por ter momentos em que você não sabe se aquilo está realmente acontecendo ou se é apenas um devaneio da narradora... A Menina Submersa, na verdade é um quadro, uma pintura que a protagonista visitava desde criança no museu, ela era meio obcecada por essa obra e tudo vai se desenrolar a partir daí. India Morgan Phelps, ou Imp, como prefere ser chamada tem esquizofrenia, assim como sua mãe e sua avó também tiveram, então não sabemos se tudo o que ela diz é real ou é coisa que sua mente cria.

Imp tem uma namorada, a Abalyn, que conheceu de uma forma inusitada, mas o foco da história não é nesse romance e sim em uma situação que ocorreu logo depois que Abalyn foi morar com Imp que mudou todo o rumo da história das duas. Uma noite Imp resolve dar um passeio de carro, sozinha e encontra Eva Canning, na beira da estrada, nua, encharcada da água do rio e a leva pra casa, a partir daí Eva não é mais uma garota, e sim uma sereia, um lobo, ou a Menina Submersa, Eva é o motivo de Imp escrever, é o fantasma que vai assombrar o resto de sua vida. E assim como ela era obcecada pelo quadro, vai ficar obcecada por Eva e isso vai tornar sua vida muito mais difícil do que já era.

A partir daí o livro fica muito mais pesado, com histórias de fantasmas, de seres mitológicos e de mortes, suicídios e muita, mas muita loucura. Uma história como essa é difícil de explicar, a própria Imp não conseguia muito bem: "Queria ser escritora, escritora de verdade, pois se eu fosse, imagino que não estaria fazendo essa confusão tão feia com esta história. Me perdendo, tropeçando nos meus pés". Mas se tornou um dos meus livros preferidos, justamente por toda essa confusão e por nos colocar na mente da protagonista. é muito difícil exemplificar transtornos psicológicos, mas este livro conseguiu de uma maneira bonita e mágica mostrar pelo menos um pouquinho de como é e no fim, me fez perceber que todos temos um fantasma, todos temos uma Eva Canning, porque: "Fantasmas são essas lembranças fortes demais para serem esquecidas, ecoando ao longo dos anos e se recusando a serem apagadas pelo tempo".


Khaleesi e Morgana também gostaram muito do livro

E uma dica: se você quer ler esse livro, esqueça tudo o que ouviu falar sobre ele até agora, inclusive, esqueça tudo o que eu disse, porque tudo o que foi dito pode não corresponder em nada com o que você vai encontrar naquelas páginas.

Outra dica: o livro contém inúmeras referências a várias coisas, entre elas músicas, filmes, outros livros, lendas antigas, obras de arte, então esteja preparado para além de ler, fazer várias pesquisas, assim a história fica muito mais interessante.

Esse é o trailer do livro (que eu particularmente não gostei muito), mas boatos de que vai virar filme, eu não sei se fico feliz ou triste, porque acho essa história muito complexa pra ser traduzida em duas horinhas de filme, mas Clube da Luta tá aí pra nos provar de que isso é possível, então só vai depender da produção fazer certo.

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4 suspiros

  1. 3 pontos me fizeram amar esse livro:
    1 - A narrativa cheia de devaneios, com um vai-e-vem danado. Passado, presente, fantasia e realidade se misturando e se envolvendo, da mesma forma que a gente se mistura e se envolve com o livro.
    2 - A definição de fantasma. No começo é dito que é um livro sobre fantasmas. Achei que apareceriam espectros ao longo da narrativa, mas a explicação de Imp sobre o que são os seus fantasmas e o que a assombra é muito melhor. Realmente há muitos fantasmas nos assombrando.
    3 - O livro me lembra você, Ana. (Essa foi pra mexer no seu coraçãozíneo)

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  2. Adoro livros com essa pegada mágica e misteriosa, já quero!

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  3. Sabe, já havia lido resenhas deste livro, inicialmente me apaixonei pela capa e quis muito, dai comecei a pesquisar. E li muiiitas, mas nenhuma como esta sua, estou com as mãos e os olhos coçando para ler este livro há muito tempo, mas agora, depois de tudo o que você disse, estou com receio de não estar pronta... Faz um tempo que enrolo para comprar pois queria esta edição bonita que você tem, então, vou deixar o tempo passar, até eu encontrar a edição que quero, e me sentir pronta para mergulhar em uma história dessa profundidade.
    Beijo!

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  4. Já li inúmeras resenhas desse livro e nenhuma delas me fizeram querer esse livro. Mas essa sua me deixou muito curiosa (muito). Também nunca li um livro do Neil Gaiman (que morte horrível <3

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