O que aprendemos com os gatos

10:57

Ou: O que eu aprendi com os gatos
Ou: O dia em que o furacãozinho virou estrela


Título: O que aprendemos com os gatos
Autor: Paloma Días-Mas
Editora: Planeta
Páginas: 143
Sinopse: "Os gatos – pensa a autora deste livro – têm muito a nos ensinar, mas para isso é necessário que estejamos atentos e dispostos a aprender. São carinhosos, mas jamais submissos, e por isso nos ensinam a pactuar nossa convivência a cada dia; são crédulos, mas só quando sabemos conquistá-los aos poucos, exercitando a virtude da paciência; são domésticos e independentes, como feras aclimatadas ao nosso habitat. 
Achamos que são indefesos, mas, na realidade, são muito mais preparados para sobreviver do que a gente. Sob sua pele sedosa se ocultam garras de fera e um corpo atlético invejável. E, quando os vemos brincar, exibindo sua magnífica forma física, ou dormir placidamente em nossa poltrona favorita (sim, essa poltrona onde os gatos nunca nos deixam se sentar) invejamos também sua capacidade de viver intensamente esse instante; sem se atormentar, como nós fazemos, com um passado que não existe mais e um futuro que talvez não chegue."

Falar sobre esse livro não vai ser fácil pra mim, eu pensei muito antes de começar porque ele me traz lembranças que muitas vezes prefiro deixar guardadas e quando elas vêm à tona trazem junto muitas lágrimas, mas eu vou conseguir aguentar, agora são só lembranças, foi pior quando aconteceu de verdade.

Bom, essa coisa maravilhosa eu ganhei de presente de amigo secreto no grupo de blogueiras As migas no final do ano passado (obrigada Alessandra <3). Me surpreendi bastante porque a Ale mesmo sem me conhecer soube identificar algo que eu ia amar, mas acho que já está mais do que óbvia a minha paixão por gatos.

O livro conta algumas teorias de como os gatos se tornaram domésticos e outras curiosidades, mas principalmente a ligação que a autora tinha com seus amigos felinos e eu me identifiquei muito com a história porque tenho um amor incondicional pelas minhas gatinhas e tudo o que ela disse no livro fez muito sentido pra mim.

Eu disse quer seria difícil porque fazem quatro meses que minha Katrina virou estrelinha, eu li o livro antes do fato ocorrer, mas falar sobre ele me lembra dela porque [spoiler] o gato da autora também vai para o céu dos bichinhos [/spoiler]. A Katrina foi uma gata inesquecível, ela chegou até mim bem bebezinha, foi recolhida da rua, mas não tinha medo de nada, era thug life mesmo (ao contrário da Khaleesi que se assusta com o próprio rabo). Eu fiquei com receio de adotar Katrina porque como já tinha Khaleesi e ela era (e ainda é) super carente, medrosa e ciumenta, achei que elas poderiam se odiar. E foi realmente assim, no começo era cada treta nervosa, mas aos poucos elas foram se dando bem e se aceitando, criando seu próprio espaço na casa e no meu coração.

Katrina era rebelde, vivia dando umas escapadinhas e antes que eu pudesse pensar em castrá-la engravidou, mas poxa, ela ainda era um bebê, como assim já tava grávida? Foi a primeira vez que eu presenciei um parto, foi a coisa mais linda do mundo aqueles gatinhos lambuzados de placenta e líquido amniótico sendo devidamente higienizados com lambidas e muito amor, ela era novinha, mas sabia exatamente o que fazer, aaah o instinto materno <3

Ela era muito dengosa, queria carinho toda hora, ronronava alto como um tratorzinho, amava um colinho e cuidava dos seus filhotes muito bem. Porém um dia, quando os filhos já estavam grandinhos, eu não sei por qual motivo nesse mundo ela fugiu e entrou no canil, era super bem fechado, até hoje não consigo entender porque ela entrou naquele lugar, sério! E lá tinha uma rotvailer, um akita, e um vira lata, mas bastou só uma mordida e chacoalhada da rotvailer pra vidinha dela quase ir. Eu estava almoçando e ao ouvir a bagunça saí correndo, descalça, desesperada, arranquei ela das garras da rotvailer e aos prantos levei ela pra casa, era um sábado, foi difícil encontrar um veterinário de plantão, mas achei um abençoado que foi super atencioso.

Porém não me deu boas notícias: ela tinha perfurado o pulmão e estava com hemorragia interna, vocês não imaginam o meu desespero. Tínhamos duas opções: 1) tentar fazer algum procedimento com muito risco de não dar certo porque ela tava muito fraca e machucada e 2) eutanásia. O que pensar numa hora dessa? Eu não conseguia parar de chorar, mas foi aí que Katrina me olhou com aqueles olhinhos esbugalhados, colocou a patinha na minha mão e ficou assim por um tempo e então eu entendi: ela estava pronta. Eu não aguentava ver ela sofrendo, com dificuldade pra respirar devido a perfuração no pulmão e decidi pela opção 2, pior coisa pra se decidir na vida.

Eu fiquei (e na verdade ainda fico) me culpando pelo que aconteceu, fico pensando que eu poderia ter sido sim mais cuidadosa, evitado a fuga dela, mas gatos são o que são, temos essa responsabilidade, mas sabemos que é difícil controlar. Também penso que eu poderia ter escolhido a opção 1 mesmo com pouquíssimas chances, mas foi o que meu coração mandou naquele momento, lembrei do filme Mar Adentro e fiquei em paz porque eu sei que ela entendeu, eu quero acreditar nisso.


Acabei não falando nada sobre o livro em si, mas é basicamente isso: a felicidade da convivência e a dor da perda, entre uma coisa e outra a gente aprende muito com eles, como por exemplo: alongar, dormir muito, comer bastante, deixar sua marca por onde passam (vide pelos em todo canto), tranquilidade, agilidade, amor (principalmente demonstrado com olhinhos fechados e romrom) e também aproveitar o momento.

Katrina me deixou a Morgana que junto com a Khalessi e agora a Pretinha, fazem meus dias mais felizes, e eu só agradeço a elas por me ensinarem tantas coisas boas. E não venham me dizer: AH, É SÓ UM GATO porque não, NÃO É SÓ UM GATO, agora é meu anjinho <3




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5 suspiros

  1. meus olhos encheram de lágrimas lendo a sua história... sério :( Adotei uma gatinha faz 2 meses e sou apaixonada por ela. Meu coração ficou apertadinho... mas com certeza ela é um anjinho agora <3333 um beijo !

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  2. Que história linda <3 Sempre amei gatos, mas preciso de uma vida mais estável pra adotar um.

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  3. gente </3
    eu tinha gatos e mesmo com a casa cheia de redes, um fugiu e foi pego por vários cachorros na rua. Foi tenso, fiquei mega mal. Hoje em dia evito ter bichos pois moro em apartamento aperto e fica difícil de controlar.

    Mas shits happens, não foi sua culpa! E animais tem alma, sua gatinha foi pra um lugar bem melhor que esse mundo :)

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  4. Li ontem mesmo uma resenha sobre o livro e fiquei com muita vontade de ler. Gatos são muito amor, né?!
    Estou muito sentida com sua história. Poxa, foi triste demais, mesmo. Mas, como já te disseram aqui, não foi de forma alguma sua culpa. As coisas acontecem por algum motivo e normalmente saem do nosso controle mesmo. Não vai resolver nada você ficar pensando que poderia ter feito diferente, até porque isso não garantiria um desfecho mais feliz. Pensa que, enquanto ela viveu, ela foi feliz. E foi até mamãe, né. Fica bem! :)
    Beijos,
    Bru

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