Não consigo odiar ninguém

09:11

Este post faz parte do projeto 642 coisas sobre as quais escrever e este é o item 3 que sugere falar sobre algo que você fazia, porém agora não faz mais, então "senta que lá vem história".

Fiquei muito tempo pensando no que escrever para esse tema, e me perguntando: o que eu fazia, porém agora não faço mais? São tantas coisas, vivemos em constantes mudanças que as vezes passam desapercebidas e quando vemos já não somos mais o que eramos, mas como diz aquele clichê de Raul: "prefiro ser essa metamorfose ambulante".

Existem aquelas mudanças drásticas que caem como bomba na nossa frente e temos que nos adaptar e existem aquelas que acontecem de forma mais gradual que não percebemos logo de cara e quando nos damos conta já somos outra pessoa, mas existem algumas coisas que mesmo acontecendo de forma gradual, quando as enxergamos percebemos que fizeram uma grande diferença, principalmente aquelas que dizem respeito a nossa personalidade. E eu posso dizer que mudei bastante minha personalidade nos últimos tempos e um ponto específico foi o ódio, e quando eu digo ódio também estou falando da raiva, da mágoa e do rancor.

Eu nunca fui uma pessoa de tretas, sempre fui de boas, mas quando alguma coisa me incomodava eu guardava lá no coraçãozinho e não esquecia, porém nunca ia tentar resolver. Vou dar um exemplo bem simples, mas que vai ilustrar melhor o que quero dizer: Na época do colégio havia uma menina que eu nunca tinha conversado, porém não "ia com a cara", porque ela era muito "metida" e ficava me encarando como quem não gostava de mim também e eu sempre fiquei com essa imagem de que ela me odeia e eu odeio ela, mas nunca fui perguntar o motivo dessa implicância.

E isso aconteceu em diversas outras situações, algumas delas mais sérias, como quando eu recebi mensagens de um hater anônimo super mal educadas e grosseiras e na época odiei mortalmente aquele ser que eu nem sabia quem era, dentre outros casos que não cabem ao momento falar.

Mas como as coisas mudam e a gente vai construindo nossas opiniões e caráter ao longo da vida eu mudei também e hoje consigo ver as pessoas com muito mais empatia e perceber mais além da situação. Lembra da menina que eu não "ia com a cara"? Dias atrás ela me adicionou no Facebook, eu aceitei e ao acompanhar a timeline dela percebi o quanto ela era legal e o quanto esse meu "ódio" era bobo, então em um ímpeto de coragem escrevi uma mensagem dizendo tudo o que eu senti antigamente e o que sentia agora em relação a situação e ela me respondeu dizendo que era tudo coisa da minha cabeça porque ela nunca me odiara, olha só essa vida nos pregando peças não é mesmo?

Um dia, em uma conversa por e-mail com um amigo toquei nesse assunto e contei a história dessa menina e ele me disse: "percebo que as coisas as vezes podem se desdobrar ou em Caetano ou em Humberto... Vago né? Então, é porque Caetano tem aquela música 'odeio você, odeio você, odeio você odeio' e o Humberto a 'Não consigo odiar ninguém', no caso, você é muito 1berto sim!" E que bom ser Humberto, talvez isso seja amadurecer, seja perceber o mundo com outros olhos, com mais amor e menos ódio, por mais que a situação nos revolte, o ódio só nos deixa piores.

E roubando uma frase que vi no blog da Thay que é de um livro que ainda não li, mas já considero pakas: "Tudo no universo está em constante mudança, nada fica igual, e nós precisamos compreender a rapidez com que o tempo passa se quisermos despertar e começar a viver realmente as nossas vidas" (A terra inteira e o céu infinito). Ou seja, vamos perceber nossas mudanças, mesmo que as mais singelas para vivermos melhor porque o tempo passa muito rápido, o que estamos fazendo da nossas vidas sendo iguais o tempo todo? E que nesse mundo cheio de ódio possamos ver e ser amor.

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7 suspiros

  1. Acho que é bem isso mesmo, né? O universo está em constante mudança, e a gente também, então nada como o clichê de um dia após o outro para a gente amadurecer e notar que certos comportamentos e ideias são um total desperdício de tempo. Odiar é uma palavra tão forte e, penso eu, faz mais mal a quem odeia do que a quem é odiado. Acho que devemos sempre concentrar nossas energias em coisas boas!
    Um beijo!

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  2. Ana
    Sempre e em constante mudança , o universo e as pessoas, adorei o texto.
    Eu mudei muito em questão de explodir e não conseguir ficar calada diante de qualquer coisa que me contrariava ou ia contra minha opinião. Hoje em dia, eu aprendi a respeitar as pessoas e o modo delas pensarem hahaha Não quero mais que ninguém seja ou pense igual a mim.
    Beijokas
    DMulheres@dmulheres

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  3. Praticamente não me meto em tretas porque prefiro evitar a fadiga, mas na questão ódio/raiva/rancor eu sou meio "pessoa ruim". ÓDIO, esse em caps e tudo, eu sinto por muito poucas pessoas, já raiva e não gostar eu tenho por várias e por motivos variados, mas sei separar quando é por algum motivo realmente válido e quando é só alguma birra boba. Já rancor... eu sou MUITO rancorosa. Conto nos dedos a quantidade de pessoas que já perdoei de verdade nessa vida. Eu posso deixar o que aconteceu pra lá, botar uma pedra no assunto, mas PERDOAR mesmo, não rola.

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  4. Amo tanto o Humberto (muito mesmo), mas sou mais Caetano.
    Espero um dia evoluir que nem você, é uma qualidade incrível pra se levar.

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  5. Isso de certo modo é bom. Eu já passei por algo bem parecido, só q no meu caso n teve jeito, e n era paranoia minha. Meu namorado/marido tem uma amiga, nunca gostei dela mas como a gente as vezes tem q tentar conciliar tudo fui eu uma vez tentar conviver e conhecer mais a pessoa, só q no fim ela se moatrou bem pior do q eu imaginei, a amizade acabou não vingando e estamos muito bem longe sem forçar uma amizade que não daria nem um pouco certo. Mas sempre é bom sair um pouco da nossa zona de conforto e aprender a conviver com quem achamos que n nos dariamos bem.

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  6. Isso de certo modo é bom. Eu já passei por algo bem parecido, só q no meu caso n teve jeito, e n era paranoia minha. Meu namorado/marido tem uma amiga, nunca gostei dela mas como a gente as vezes tem q tentar conciliar tudo fui eu uma vez tentar conviver e conhecer mais a pessoa, só q no fim ela se moatrou bem pior do q eu imaginei, a amizade acabou não vingando e estamos muito bem longe sem forçar uma amizade que não daria nem um pouco certo. Mas sempre é bom sair um pouco da nossa zona de conforto e aprender a conviver com quem achamos que n nos dariamos bem.

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  7. Que texto lindo! Eu queria de verdade poder dizer o mesmo que você, mas não é fácil. Eu sou um pouco rancorosa, eu sou aquela pessoa que quando alguém dá alguma mancada, viro o bicho e fico pensando todas as maneiras possíveis de revidar o que a pessoa fez comigo. Eu odeio muito, mas muito mesmo, a sensação de ter expectativa para algo e depois alguém vai lá e frustra bonito, eu não sei lidar de forma calma com isso, tem muita coisa que relevo, mas quando é o caso do que citei, o bichinho da raiva cutuca bastante.
    Por outro lado, apesar de guardar toda aquela raiva no começo, querer matar a pessoa, eu até que acabo esquecendo rápido, depois quando penso na raiva que estava sentindo de alguém há alguma semanas, eu já não sinto tanto ódio, mas queria mesmo não sentir ódio algum, isso não faz bem algum, sei beeeeem disso.

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