17 de nov de 2015

O dia em que eu assumi o 38

Continuando a série de desafios cotidianos que tenho enfrentado na vida, hoje quero falar sobre o dia em que eu assumi o 38. Pode parecer um assunto bem comum e banal assim como tudo aqui, mas é importante pra mim dividir isso, então me deixa.

Eu nunca sofri nenhum trauma grave relacionado ao peso, nunca sofri bullyng, não tive nenhum transtorno alimentar e diferente de muitas outras pessoas nunca fiz nenhuma dieta restritiva e maluca para emagrecer ou engordar. Mas sofri uma autocobrança muito forte principalmente por ser nutricionista e viver cercada de comentários de que nutricionista "tem que" ser magra, por isso sempre que se tratava do meu próprio peso vinha essa questão muito forte de não engordar!

O que acontece é que eu sempre fui magra, desde criança, muito magra na realidade, durante a faculdade não passava de 48 Kg e vivia frustrada ao ver minhas amigas indo doar sangue e eu não podia ir porque não tinha 50 fucking quilos. Também não gostava das minhas roupas porque era muito difícil encontrar peças que me caíssem bem, meu corpo não tinha formas era retilíneo, porém apesar dessas coisas eu gostava de ser magra, apesar de querer engordar um pouquinho, mas podia comer o quanto quisesse que continuava magra, era como falavam: "magra de ruim".

E então eis que o tempo passa e a realidade muda e dentro de quase 3 anos engordei alguns quilinhos e aí a primeira coisa que pensei foi: "eba, posso doar sangue". Mas mais uma vez o mundo foi cruel com a minha vontade de ajudar as pessoas, fui ver os requisitos e quando criança tive hepatite A (depois dos 11 anos) por isso não posso doar, então frustrei de novo. Não que eu tenha engordado apenas para doar sangue, foi natural e até estava gostando disso porque deu forma ao meu corpo. Mas, de repente, como num piscar de olhos minhas calças não entravam mais e eu que até queria ter engordado não estava acreditando que não cabia mais nas minhas calças número 36. Para o mundo, o que tá acontecendo? Eu achei que engordar era psicológico? Não, todo o meu corpo iria sentir essa mudança.

Mas durante toda a minha vida eu estava abaixo do peso e agora estou no meu peso ideal, ou seja, no meu peso ideal é ideal que eu use 38, mas meu cérebro não estava aceitando esse fato. Eu me sentia um pouco culpada porque subir alguns números na balança era ok, mas subir alguns números de roupa não podia, cadê o sentido? Eu achava que 36 era a numeração de roupa que iria usar para o resto da vida e isso já estava programado na minha mente e eu fui teimosa em continuar usando.

Eu vivia reclamando pro meu namorado sobre essa questão, que eu estava super angustiada com o fato de que minhas roupas estavam apertadas e ele simplesmente chegou um dia e me falou: "Amor, você já tem 24 anos, já é uma mulher, você tem que aceitar o fato de que seu corpo muda, você não é mais a adolescente que usava 36 ou as vezes 34, você está linda assim, então não fique se culpando ou usando roupas desconfortáveis, vai em uma loja, compre tudo novo que seja do seu número novo e seja feliz". Gente, ele está certíssimo e é assim mesmo, tão simples, em vez de ficar sofrendo por aquela roupa não te servir mais você simplesmente usa aquela que é seu número e ponto.

As vezes engordar também é uma questão de saúde, assumir seu peso ideal é uma questão não só de estética, mas principalmente de bem estar. Nós mulheres temos grandes problemas com nosso peso e eu vejo bem de perto isso na minha profissão e aí como se não bastasse toda essa angústia que sentimos e a cobrança que nós mesmos nos fazemos, ainda tem todo o preconceito envolvido, gordofobia, apologia a magreza excessiva, temos algumas blogueiras fitness da vida que só falam besteira pra difundir essa cultura de ódio ao próprio corpo, isso me deixa extremamente triste.

Em contrapartida, o que me deixa um pouco mais aliviada é que existem algumas pessoas que tentam quebrar toda essa coisa ruim que envolve a questão do peso, como por exemplo a Paola do blog Não sou exposição, pelo qual sou apaixonada e já li praticamente todos os posts, me anima saber que existem pessoas como elas preocupadas em propagar esse pensamento e ser contra a mídia manipuladora e desconstuir esses discursos apelativos da indústria da beleza.

6 comentários:

  1. Minha vida inteira nesse post. Há anos que eu luto pra chegar no peso ideal e, adivinha? Poder doar sangue. Quase dei uma festa regada a hambúrgueres quando bati 49kg, mas aí PUM, voltei pros 47, o que pra mim ainda é sucesso, porque eu tava presa na maldição dos 44/45 há vários anos. E a minha cara quando o short que eu usava há 10 anos não passou na minha bunda?! Confesso que também tive uns dias de muita reflexão para aceitar esse fato. Porque onde já se viu gente como a gente querendo fazer dieta pra emagrecer, né?
    Mas nem tudo está perdido, porque hoje em dia a numeração das calças tá tão louca que eu fui comprar roupa nova, peguei tudo 38 e só uma me serviu, o resto caía assim que eu colocava. Ainda tem espaço pro 36 aqui com a gente.

    Sentimentaligrafia

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    1. Marcela, obrigada por dividir comigo sua opinião sobre esse assunto!

      Beijinhos :*

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  2. Adorei seu post, ainda quero pensar como você mas não consigo, depois que casei fui do 48 para 57 quilos, não mim conformo ate hoje, tento malhar, comer direito para voltar ao peso de antes, não mim acho bonita assim mesmo que muitos falem que estou linda, não acho. Parabéns por si aceitar como estar. bjo

    Naturalmenteale.blogspot.com.br

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    1. Um dia você chega lá Alessandra, a auto aceitação é um processo bem lento mesmo, mas não é impossível, força!

      Beijinhos

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  3. Gente, dá até medo de comentar aqui, tanta gente magra haha

    Mas confesso que passei um pouco pelo que você passou (apesar da minha numeração ser um pouquinho diferente). Eu sempre fui gordinha. Não gorda, mas aquela cheinha, perna grossa, braço grosso, mãos gordinhas, e por aí vai. Mas, depois que entrei na adolescência - foi cedo, eu tinha uns 10 anos - eu não variei muito de tamanho. 44 pra calça.

    Mas, ano passado, comecei um tratamento para depressão. Os remédios me fizeram perder 4kgs de repente - fui pro 42, minhas calças caíam, mas eu estava bem - estava emagrecendo, as pessoas elogiavam. Agora que eu engordei 15kg todo o mundo tá preocupado, as roupas não servem - nada serve, nas lojas não tem o meu tamanho. E isso é o que mais me incomoda, sabe? Eu gosto das coisas e não serve. Não ligo de ser gorda.

    Enfim, desculpe o meu desabafo. Gostei muito do seu post!

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    1. Imagina, pode desabafar quantas vezes quiser. Obrigada pela visita e carinho e não liga pra numeração da sua calça não, o que importa é o número dos seus sorrisos!

      Beijinhos.

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